Tuesday, 20 October 2009
Lost in translation: A life in a new language
" 'identities are reconstructed and life stories are retold' in the process of learning an additional language in a new cultural context" (Palenko and Lantolf, 2000 on Eva Hoffman, 1997). This comment confirms what I've been experiencing, that with every language we learn and with every culture we live in, a different self is born, in addition to our monolingual selves. "This language [English] is beginning to invent another me" (Hoffman again).
Monday, 19 October 2009
Monday, 12 October 2009
um pouco de mim...
Vou tentar de vez em quando postar algumas coisas que escrevo.
Deixo aqui aberto às críticas e sugestões, afinal, a poesia, assim como nós seres humanos, estamos sempre em busca de melhoras e aceitacões.
Não tenho por meio desta nenhuma pretensão, mas só de expor um prazer íntimo. Mas quem sabe, um dia fazê-lo bem?
Asas ao avesso
Tenho asas que são negras,
que não conseguem volitar.
Uma pele marcada,
que parece não querer sarar.
Meus cabelos não são claros,
muito menos encaracolados,
tenho o sangue dos mortais.
Não tenho lágrimas feitas de chuva,
iguais aos outros não eternos.
Vou solitária, plena e intensamente
em busca do horizonte radiante.
Mas,
me sinto tão cansada!
Mas vou seguindo,
criando meus santos e minhas rezas,
sou dona do mundo de ninguém.
Sou um anjo ao avesso!
Questiono meu destino,
as pessoas e a vida.
Sigo caminhando,
já que não posso voar.
Meu céu é o chão,
a terra que vai me guiar.
Será que estou perto?
Ou cada vez mais distante?
Hoje troco os dias pelas noites,
a reza pelo canto,
o choro pelo riso,
o silêncio pela fala,
a morte pela vida.
Sou um anjo ao avesso!
Ou será a vida que está ao avesso?
- Karla Guedes
Deixo aqui aberto às críticas e sugestões, afinal, a poesia, assim como nós seres humanos, estamos sempre em busca de melhoras e aceitacões.
Não tenho por meio desta nenhuma pretensão, mas só de expor um prazer íntimo. Mas quem sabe, um dia fazê-lo bem?
Asas ao avesso
Tenho asas que são negras,
que não conseguem volitar.
Uma pele marcada,
que parece não querer sarar.
Meus cabelos não são claros,
muito menos encaracolados,
tenho o sangue dos mortais.
Não tenho lágrimas feitas de chuva,
iguais aos outros não eternos.
Vou solitária, plena e intensamente
em busca do horizonte radiante.
Mas,
me sinto tão cansada!
Mas vou seguindo,
criando meus santos e minhas rezas,
sou dona do mundo de ninguém.
Sou um anjo ao avesso!
Questiono meu destino,
as pessoas e a vida.
Sigo caminhando,
já que não posso voar.
Meu céu é o chão,
a terra que vai me guiar.
Será que estou perto?
Ou cada vez mais distante?
Hoje troco os dias pelas noites,
a reza pelo canto,
o choro pelo riso,
o silêncio pela fala,
a morte pela vida.
Sou um anjo ao avesso!
Ou será a vida que está ao avesso?
- Karla Guedes
Thursday, 8 October 2009
completamente insano, mas extremamente sábio
Mas eu tinha que ficar contente. E quando você quer, você fica. Comecei a ficar. Afinal, aquele podia ser o primeiro passo para emergir do pântano de depressão e autopiedade onde refocilava há quase um ano. Gostei tanto da expressão pântano-de-depressão-&-etc. que quase procurei papel para anotá-la. Perdera o vício paranóico de imaginar estar sendo sempre filmado ou avaliado por um deus de olhos multifacetados, como os das moscas, mas não o de estar sendo escrito. Se fosse bailarino, talvez imaginasse estar constantemente, em qualquer movimento, sendo esculpido? Ah, cada gesto, uma verdadeira apologia estética da forma pura.
Era engraçado. E bastante esquizofrênico. mas de repente o real tinha-se tornado bem menos retórico.
ABREU, Caio Fernando. Onde andará Dulce Veiga?
Era engraçado. E bastante esquizofrênico. mas de repente o real tinha-se tornado bem menos retórico.
ABREU, Caio Fernando. Onde andará Dulce Veiga?
Monday, 5 October 2009
mas por que não ficaria um pouco de mim?
Resíduo
De tudo ficou um pouco
Do meu medo.
Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.
Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
― vazio ― de cigarros, ficou um pouco.
Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?
Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rio
se os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.
Carlos Drummond de Andrade
De tudo ficou um pouco
Do meu medo.
Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.
Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
― vazio ― de cigarros, ficou um pouco.
Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?
Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rio
se os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.
Carlos Drummond de Andrade
Thursday, 1 October 2009
procuramos o que sentimos ou sentimos o que procuramos?
"Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis."
[Caio F.]
[Caio F.]
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