Sunday, 30 August 2009

Do amor [Paulinho Moska]

Não falo do amor romântico, aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento. Relações de dependência e submissão,paixões tristes. Algumas pessoas confundem isso com amor.Chamam de amor esse querer escravo, e pensam que o amor é alguma coisa que pode ser definida,explicada, entendida, julgada. Pensam que o amor já estava pronto,formatado, inteiro, antes de ser experimentado. Mas é exatamente o oposto, para mim,que o amor manifesta. A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído,inventado e modificado.O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita. O amor é um móbile. Como fotografá-lo?Como percebê-lo? Como se deixar sê-lo? E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine? Minha resposta? O amor é o desconhecido. Mesmo depois de uma vida inteira de amores,o amor será sempre o desconhecido,a força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão. A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação. O amor quer ser interferido,quer ser violado, quer ser transformado a cada instante. A vida do amor depende dessa interferência. A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,decidimos caminhar pela estrada reta.Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,e nós preferimos o leito de um rio,com início, meio e fim.Não, não podemos subestimar o amor não podemos castrá-lo. O amor não é orgânico. Não é meu coração que sente o amor. É a minha alma que o saboreia.Não é no meu sangue que ele ferve. O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.Sua força se mistura com a minha enossas pequenas fagulhas ecoam pelo céucomo se fossem novas estrelas recém-nascidas. O amor brilha.Como uma aurora colorida e misteriosa,como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,o amor grita seu silêncio e nos dá sua música. Nós dançamos sua felicidade em delírio porque somos o alimento preferido do amor,se estivermos também a devorá-lo. O amor, eu não conheço. E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,me aventurando ao seu encontro. A vida só existe quando o amor a navega. Morrer de amor é a substância de que a Vida é feita. Ou melhor, só se Vive no amor. E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.
http://www.youtube.com/watch?v=_tT8yymopjo&feature=PlayList&p=5370CA707D611D64&playnext=1&playnext_from=PL&index=6

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